O taoísmo, religião nativa da China, surgiu no século II e tem culto à Natureza e aos ancestrais. Existiam numerosas escolas taoístas, porém, evoluiram-se gradualmente para duas escolas principais, a Quanzhen e a Zhengyi. O taoísmo não exige a realização de rituais nem tem as rigorosas estipulações para a admissão de crentes. Atualmente, a China possui 1.500 templos taoístas e 25 mil monges.
Lao Dan chama-se de Li Er ou Lao Zi. Vivia na Época de Outono e Primavera (770 a. C- 476 a. C) no Reino Chu. Lendariamente, o homem fisicamente grande, tinha orelhas cumpridas, olhos grandes, testa larga e lábios grossos. Lao Dan ocupava o cargo de administrador de biblioteca no Reino Zhou e gozava de grande fama por seus ricos conhecimentos. Quando era jovem, o Confúcio o visitava para saber os ritos do Reino Zhou. Com a decadência da corte imperial do Reino Zhou, Lao Dan deixou Luo Yang, capital do Reino Zhou. Quando passava e vivia no passo de Hangu, ele escreveu o livro “Dao de jing” (ou Lao Zi). Depois, ele deixou Hangu montando um boi preto sem saber a onde foi o mestre. Lendariamente, ele morreu aos 60 anos ou até 200 anos de idade.
O livro “Daodejing” que se chama também de “Lao Zi” com mais de cinco mil caracteres chineses contêm conteúdos bem variados e é considerado como um importante legado da antiga cultura chinesa. Lao Dan foi um pensador materialista e foi o primeiro chinês que considerou o “dao” como ponto máximo do desenvolvimento da filosofia. Originalmente, o “dao” significa caminho que liga diversas partes. Com base nas suas observações sobre mudanças naturais e relações pessoais, Lao Dan deu novo conteúdo para o “dao”, dizendo que o “dao” dá origem às coisas “e não são” as coisas que originam o dao. Lao Zi explicava o ”dao” como um “corpo espiritual”, uma espécie de conceito espiritual imaterial. Para o Lao Dan, todas as coisas não são isoladas, mas sim estão bem interligadas, convivendo juntos.
Em seu livro “Daodejing”, Lao Zi explica a lei de transformação das coisas, como por exemplo, a felicidade e a desgraça são transformáveis mutuamente, convertendo o fator de felicidade em desgraça e o bruto de desgraça em felicidade. Lao Dan considerava que a acumulação quantitativa de uma coisa pode provocar a mudança qualitativa, como por exemplo, uma grande árvore nasce de uma pequena semente, enquanto um grande altar poder ser construído com barro disperso. Ele dizia, em vez de ser amedrontado pelas dificuldades deve esforçando-se pouco a pouco para superar todas as dificuldades para alcançar o grande ideal.
Lao Dan odiava a guerra, dizendo que os acampamentos militares se tornam matas espinhosas e grandes guerras provocam anos cheios de calamidades. O mestre também era contra a imposição de supercarga de impostos ao povo pela classe dominante.
Lao Dan descreveu em um dos seus artigos um país ideal: Um país pequeno com pouca população. A gente não usa armas nem viaja por carros e barcos. O povo se alimenta, veste e mora bem. Os países vizinhos sabem disto, mas os povos não se visitam um a outro. A vida neste pequeno país deveria ser simples sem necessidade de utilizar letras e registrar seus assuntos por nós de cordas e marcação em madeiras. Este passivo pensamento de Lao Dan demonstra sua hostilidade às guerras no Período de Outono e Primavera e a aspiração dos camponeses de viver numa sociedade tranqüila.
O pensamento de Lao Dan que ocupa importante posição na história da filosofia chinesa exerceu uma influência positiva sobre pensadores progressistas e sonhadores na historia chinesa.
Do ponto de vista filosófico, as origens do taoísmo são obscuras. Originariamente, o termo chinês "tao" significa 'Caminho', palavra-chave de todas as antigas escolas filosóficas da China, inclusive o confucionismo. Mas foi somente no século IV a.C., através de Lao-tsu e Chuang-tsu, que o taoísmo recebeu impulso decisivo. Como religião, sabe-se que a doutrina começou a se tornar conhecida no século I a.C., quando era divulgada por sacerdotes mágicos, que, mediante poderes divinos, prometiam aos crentes a restauração da juventude, a aquisição de virtudes sobre-humanas e a garantia da imortalidade da alma. Atualmente, o taoísmo divide dois movimentos distintos, um caráter filosófico, o "tao-chia" ou a escola taoísta, e outro de índole religiosa, chamado "tao-chiao" ou religião taoísta.
De um modo geral, "tao" designava a energia cósmica universal que se manifesta em toda a natureza. Tal energia, como ser, é impessoal, abstrata, onipresente e eterna; como de vir, isto é, sob a forma de 'vir-a-ser', atua livre e ordenadamente para o maior bem de todos. Ensinava ainda Lao-tsu que o "tao", à semelhança de energia cósmica, origina o processo contraditório da existência, opondo o bem ao mal, o positivo ao negativo, o masculino ao feminino, o céu à terra. Esse último contraste seria responsável pela formação de todas as outras coisas. Do mesmo modo, a ordem humana se construiria a partir dessa energia. Profundamente mística e ética, a filosofia taoísta, pregando a simplicidade e a alegria de uma vida em contato com a natureza, estabeleceu as bases do otimismo espiritual dos chineses.
O caminho taoísta propõe a restauração do estado pleno de vida e consciência, chamado Tao. Para isso, utilizam-se vários meios, como as práticas que promovem a boa saúde física e mental, o estudo de clássicos escritos pelos grandes mestres do passado, os métodos místicos para a restauração da ordem interna e fundamentalmente, a meditação, como caminho de autotransformação e elevação espiritual.
Do Caminho surge um (aquele que está consciente), de cuja consciência por sua vez surge o conceito de dois (yin e yang), dos quais o número três está implícito (céu, terra e humanidade); produzindo finalmente por extensão a totalidade do mundo como o conhecemos, as dez mil coisas, através da harmonia das Wuxing. O Caminho enquanto passa pelos cinco elementos do Wuxing é também visto como circular, agindo sobre si mesmo através da mudança para simular um ciclo de vida e morte nas dez mil coisas do universo fenomênico. Aja de acordo com a natureza, e com sutileza em lugar de força.
A perspectiva correta será encontrada pela atividade mental da pessoa, até chegar a uma fonte mais profunda que guie sua interação pessoal com o universo. O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender O Caminho, moderar o desejo gera contentamento. Os taoístas acreditam que quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substituí-lo. Em essência, a maioria dos taoístas sente que a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".
Unidade: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são, e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Esta compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos fatos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".
Dualismo, a oposição e combinação dos dois princípios básicos Yin e Yang do universo, é uma grande parte da filosofia básica. Algumas das associações comuns com Yang e Yin, respectivamente, são: masculino e feminino, luz e sombra, ativo e passivo, movimento e quietude. Os taoístas acreditam que nenhum dos dois é mais importante ou melhor que o outro, na verdade, nenhum pode existir sem o outro, porque eles são aspectos equiparados do todo. São em última análise uma distinção artificial baseada em nossa percepção das dez mil coisas, portanto é só nossa percepção delas que realmente muda.
Muito da essência do Tao está na arte do wu wei (agir pelo não-agir). No entanto, isto não significa "espere sentado que o mundo caia no seu colo". Essa filosofia descreve uma prática de se realizar coisas através da ação mínima. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força, sem interrupções do curso normal de um processo). A prática de seguir a corrente em vez de ir contra ela é uma ilustração; uma pessoa progride muito mais não por lutar e se debater contra a água, mas permanecendo quieta e deixando o trabalho nas mãos da correnteza.
O Wu Wei funciona a partir do momento em que confiamos no "design" humano, perfeitamente ajustado para nosso lugar na natureza. Em outras palavras, confiando na nossa natureza em vez da nossa racionalidade, nós podemos encontrar contentamento sem uma vida de luta constante contra forças reais e imaginárias.
Uma pessoa pode aplicar essa técnica no ativismo social. Em vez de apelar para que outros tomem atitudes relacionadas a uma causa, seja qual for a sua importância ou validade, ela pratica uma vida de acordo com o que acredita, "remando contra maré". Ao deixar sua crença se manifestar em suas ações, está assumindo sua responsabilidade pelo movimento social que acredita.
No pensamento taoísta chinês, os elementos da Natureza podem ser classificados em cinco tipos: metal, madeira, terra, água, fogo (em chinês: 金 木 土 水 火). Esses Cinco Elementos (五行 wuxíng) não são somente os materiais aos quais os nomes se referem, mas mais bem metáforas e símbolos para descrever como as coisas interagem e se relacionam umas com as outras. Por exemplo, na meditação taoísta esse ciclo representa o equilíbrio da natureza.
O taoísmo descreve um ciclo de produção (生 Sheng) e um ciclo de controle (克 Ke) agindo sobre os elementos. No taoísmo, tudo que conhecemos ou pensamos como realidade é um símbolo e um reflexo dos céus, de tal forma que, entendendo o relacionamento macrocósmico das coisas, poderemos entender o mesmo relacionamento numa escala menor: no corpo, na astrologia pessoal, ou na política. A referência taoísta original era sobre as estações do ano (ou "os céus"), e elas seriam então mais acuradamente descritas como as cinco fases.
No ciclo da produção, a madeira produz o fogo, o fogo produz a terra, a terra produz o metal, o metal produz a água, a água produz a madeira.
No ciclo de controle, a madeira controla a terra, a terra controla a água, a água controla o fogo, o fogo controla o metal, o metal controla a madeira.
O ciclo de produção delineia um pentágono e a cadeia de controle delineia uma estrela de cinco pontas. Essas interações e relacionamentos formam o esboço para diferentes escolas de filosofia.
A interação dos cinco elementos torna-se uma ferramenta que ajuda os acadêmicos taoístas a classificar as observações e os dados empíricos. Com base em observações de como as coisas interagem, elas são classificadas em um dos cinco elementos, tal como elas se encaixam no padrão observado. Então se podem tirar conclusões de alto nível ou predições baseadas nos tipos dos elementos.
O Budismo Chan, que se desenvolveu como uma escola distinta na China medieval refletiu fortes influências da filosofia chinesa e, em particular, do Taoísmo. Com o tempo, o Chan acabou se estabelecendo na Coréia, onde recebeu o nome Seon. Havia monges que chegavam de outros países da Ásia para estudar o Chan, e a escola foi se espalhando pelos países vizinhos. No Vietname, recebeu o nome Thien, e, no Japão, ficou conhecida como Zen. Através da história, essas escolas cresceram de maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características bastantes diferentes umas das outras. Na China, elementos do taoísmo se combinaram com elementos do Budismo e do Confucionismo na forma do Neo-Confucionismo.
A filosofia taoísta encontrou muitos seguidores ao redor do mundo. Genghis Khan era simpático à filosofia taoísta, e durante as primeiras décadas de dominação mongol, o taoísmo viu um período de expansão, entre os séculos XIII e XIV. Devido a isso, muitas escolas taoístas tradicionais mantêm centros de ensino em vários países ao redor do mundo.
A filosofia taoísta incorporou princípios do budismo, do confucionismo, do imortalismo (filosofia dedicada a conhecer o caminho que leva à imortalidade), da medicina tradicional chinesa, do Ying Yang, cinco elementos entre outras. Também utilizou a sabedoria das escolas de astronomia, alquimia, estratégias de guerra, entre outras. O pensamento guia a energia, e quando a energia chega com ela chega à força. Os movimentos são harmoniosos, e por isso trás mais equilíbrio ao corpo o conectando ao universo. O aspecto externo da arte marcial taoísta se assemelha muito ao movimento de um peixe, de um pássaro voando e ou de um animal correndo. Os movimentos são muito belos e estéticos. No aspecto interno, a força do corpo tem a forma de um espiral duplo, esse é um aspecto da arte marcial taoísta, e, é também o princípio mais valioso da arte marcial chinesa original. A força em espiral é a força que movimenta o universo. Todos nós sabemos sobre os movimentos dos planetas ao redor do sol, chamados de translação que produz uma força no sentido anti-horário e a rotação que produz uma força no sentido horário. Esses movimentos produzem forças contrárias que formam a força em espiral que influenciam toda a matéria, ou seja, o ser humano e todas as coisas.
De acordo com a arte marcial taoísta, os seres humanos devem buscar harmonia com a natureza para chegar ao relaxamento e a saúde. O Taoísmo é uma religião de aplicação prática, e para entendê-la, é necessário aplicar os exercícios taoístas. A Arte Marcial Taoísta tem na sua essência, uma filosofia muito profunda, seu conteúdo engloba o Qi Gong Taoísta, a medicina taoísta, a dança taoísta, a música taoísta, a pintura taoísta, e a compreensão dos símbolos taoístas, do sexo taoísta, feng shui taoísta, entre outros. Por isso podemos dizer que a arte marcial taoísta é um enorme aprendizado de filosofia e prática que tem milhares de anos de história. E agrupa a sabedoria de muitos mestres.
Certas pessoas dizem que a guerra é a origem das artes marciais, essa é uma idéia muito errada de quem não entende sobre a arte marcial. Na origem das sociedades havia uma extrema harmonia e a união entre todos para conseguirem sobreviver, e há registros de que já nos primórdios, existia a arte marcial, apenas não se chamava arte marcial. Os seres humanos, para sobreviverem às desgraças naturais, precisavam se fortalecer e encontrar formas de cuidar da saúde de seus corpos, essas necessidades deram origem às artes marciais. Podemos dizer então que a origem das artes marciais se deu pela busca pela sobrevivência.
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