Efeitos dos Exercícios no Sistema Cardiovascular
O envelhecimento, de acordo com Jeckel Neto e Cruz (2000), é um processo ligado a alterações do desempenho cardíaco, da circulação periférica, do metabolismo da glicose e do sistema nervoso autônomo com aumento de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial sistêmica. Estas alterações no sistema cardiovascular, no equilíbrio glicêmico e no controle autonômico resultam em diminuição da capacidade de realizar atividades físicas com o avanço da idade (JECKEL e CRUZ, 2000).
De acordo com a OMS e a FIMS (1998), muitas das doenças e incapacidades relacionadas à terceira idade são mais o resultado da falta de atividade física do que propriamente do processo de envelhecimento. Ainda, conforme cita a OMS e a FIMS (1998), as pesquisas concluem que a atividade física aumenta a longevidade e protege contra o desenvolvimento da doença arterial coronariana, hipertensão arterial, acidente vascular encefálico e outras doenças crônicas não transmissíveis. De forma adequada mantém a capacidade de realizar os esforços e os movimentos do cotidiano sem fadiga ou desconforto desproporcionais e, a melhora do funcionamento do processo fisiológico de metabolismo das gorduras e dos carboidratos. Há muitas evidências que mostram o valor da atividade física na prevenção e, redução da mobilidade limitada e perda da independência.
Segundo Pollock e Wilmore, citado por Camargo-Junior e Göcks (1999), a Doença Arterial Coronariana (DAC), geralmente, resulta de um processo de aterosclerose que enrijece e entope a artéria coronária ocorrendo a falta de oxigênio no músculo cardíaco podendo levar o indivíduo ao infarto agudo do miocárdio. De acordo com Nahas, citado por Camargo-Junior e Göcks (1999), os exercícios aeróbios são aqueles em que há utilização de oxigênio, moderadamente intenso e realizado de forma constante. Estudos têm mostrado que pessoas fisicamente ativas são menos propensas a problemas cardiovasculares e tem menos chances de sofrer ataques cardíacos do que pessoas inativas.
Segundo Mcardle et al (2002), em repouso, o miocárdio extrai 70 a 80% do oxigênio do sangue que flui nos vasos coronarianos, pela natureza aeróbica no tecido que o forma. As fibras miocárdicas possuem a maior concentração mitocondrial de todos os tecidos corporais.
O avanço da idade acompanha a redução na freqüência cardíaca máxima e a diminuição do volume sistólico mostrando através da redução do consumo máximo de oxigênio (Vo2 máx), normalizado pelo peso corporal, evidências da diminuição da capacidade aeróbica (JECKEL e CRUZ, 2000). Pode-se atenuar a diminuição da capacidade de realizar exercícios no idoso com o treinamento físico. Estudos mostram o incremento da capacidade aeróbica, aumento do consumo de oxigênio e mudanças cardiovasculares vai depender do pré-condicionamento, da intensidade e da duração da atividade física em pessoas idosas (JECKEL e CRUZ, 2000).
O condicionamento físico aumenta a resistência periférica à insulina, à intolerância à glicose e à hiperinsulinemia que estão freqüentemente associados com a hipertensão, o diabetes e a obesidade. Ainda, aumenta os níveis de HDL-colesterol no plasma. Conseqüentemente podem diminuir-se, com isso tudo, os riscos de doenças vasculares, como a aterosclerose associada, geralmente, ao envelhecimento (JECKEL e CRUZ, 2000). Segundo Jeckel e Cruz (2000), o aumento de peso relacionado ao envelhecimento, estilo de vida mais sedentário e, componentes genéticos facilitam a obesidade, o que aumenta o grau de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
De acordo com Silva et al (1999), a insuficiência cardíaca costuma ser a via final de todas as cardiopatias. Ainda, segundo Mady (1994), Batlouni et al (1992) citado por Silva et al (1999), estudos comprovam que os fatores de risco com a hipertensão, doenças coronarianas e o diabetes desenvolvem a insuficiência cardíaca.
Segundo Caspersen et al (1995) citados por Guedes e Guedes (1995) e Camargo-Jr e Göcks (1999), o exercício físico é toda atividade planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física.
Os exercícios aeróbicos têm uma grande influência nas doenças cardiovasculares, pois exigem maior participação dos sistemas cardiovascular e respiratória com atuação forte nos fatores de risco para a mesma, conforme Nahas (1998) citado por Camargo-Jr e Göcks (1999).
De acordo com Mcardle et al (2002), o sistema cardiovascular possui um circuito vascular contínuo interconectado com uma bomba (coração), um sistema de distribuição de alta pressão (artérias), vasos responsáveis pela permuta (capilares) e um sistema de coleta e de retorno de baixa pressão (veias).
(EBERT, Clécio H. Monografia Curso Ed. Fis. UNISC. Santa Cruz do Sul, 2008/1)