LUK DIM BUN KWAN - Bastão Longo
O bastão é considerado a arma mãe no kung fu, sua utilização está ligada aos primórdios da arte marcial chinesa.
O estilo Wing Chun teria absorvido a utilização do bastão através da troca de técnicas entre Chi Shin e Leung Yee Tai.
Wong Wah Bo, também especialista em Wing Chun Kuen e pertencente a uma troupe de ópera chinesa juntamente a Leung Yee Tai moravam em um barco, e no barco onde se apresentava a troupe, Leung Yee Tai fora designado a trabalhar na cozinha, onde acabou por conhecer o famoso mestre Chi Shin. Leung Tai aprendeu técnicas de bastão longo e Chi Shin teria recebido técnicas de braço de Wing Chun. O estilo Wing Chun é um sistema marcial que teve como base a luta corporal sem utilização de armas, porém para aquela época, o que hoje são chamadas armas brancas, eram letais, quando manejadas se tornavam letais, e as armas que possuíam lâmina, demonstravam uma má intenção, ou uma intenção deliberadamente bélica.
O bastão, luk dim bun kwan tem um formato cônico, com uma extremidade mais grossa em relação à outra, seu peso varia conforme o material, madeira nobre, ou madeira do tipo flexível, porém dura (white oak), ou rattan.
As características das técnicas se assemelham as da lança, aliás, para aquela época o uso do bastão era uma forma de não demonstrar, de esconder a possibilidade de que munido de uma vara utilizada para fins sociais (apoio, abrir mata, remo, suporte de balde, etc...) seria manejada de forma mortal. O luk dim bun kwan é um bastão longo, cerca de 2 metros e meio de comprimento, o qual era utilizado nos juncos pelos barqueiros.
Segundo relatos do falecido grande mestre Yip Man, Wong Wah Bo seria uma pessoa muito reservada e inicialmente quem teria sido instruído fora Leung Tai, porém as técnicas de Wing Chun com o bastão teriam sido desenvolvidas pelos dois. O manejo de bastão de forma tradicional no Wing Chun, utiliza-se de base sólida como a do cavalo, e de bases flexíveis como a do gato e uma própria do Wing Chun, hau ma. A combinação está entre o movimento rápido e forte de perna aliados à cintura e a explosão dos braços, características marcantes no estilo Wing Chun. Utiliza-se de seis técnicas e meia, que são sete movimentos, porém um executa meio movimento em relação aos outros seis.
Porém o que muitos praticantes esquecem, é que outros estilos de kung fu também desenvolveram muitas técnicas e formas diferentes do uso do bastão, em relação as distâncias do oponente, ao campo de batalha e a quantidade de adversários. Absorver outras técnicas pode ajudar e muito ao praticante, pois abre sempre novas possibilidades de se absorver ou contornar uma situação que muitas vezes fogem do habitual.
Quando da incorporação do bastão no Wing Chun, a preocupação maior ficou em relação a um combate de longa distância ao oponente, sendo a arma manipulada por uma pessoa sob o barco, ou numa situação mais voltada de um para um, por isso apesar de haver um preciso e forte trabalho das pernas a deslocação é curtíssima.
Assim como o Wing Chun fora ensinado para pessoas que já haviam habilidade em outro estilo, e portanto existiram combinações de conhecimentos e técnicas a aquelas próprias e desenvolvidas no Wing Chun, o uso do bastão também pode utilizar-se de outras técnicas adversas, logicamente este é um ponto de vista que ultrapassa uma idéia ortodoxa de se prender a apenas uma maneira do uso do bastão.
Muitos mestres acrescentaram ao uso das estocadas, varridas, e movimentos em círculo, um uso mais amplo, com movimentação capaz de enfrentar um maior número de oponentes, de se ter uma maior agilidade, porém sem perder a objetividade, explosão e sensibilidade, características do Wing Chun.
Alguns mestres mesmo demonstrando uma determinada forma, sabem e utilizam muito mais características e técnicas com a mesma arma, justamente, por sentirem a necessidade da adaptação ao momento correto um movimento que produza um melhor efeito.
O treino em Wing Chun com o bastão é normalmente ensinado posterior à aprendizagem das técnicas corporais. Contribuem para uma maior potência do uso da cintura, ajudando a desenvolver os deslocamentos como também o fortalecimento de juntas, e tendões dos braços. É utilizada para treinamento a prática de técnicas isoladas no ar, aparelho como argola, mook jong específico, treino com parceiro, no qual se inclui o chi kwan, um tipo de exercício semelhante ao chi sau, só que com os bastões.
Como toda arma, o bastão deve se tornar um prolongamento do corpo do praticante, formando uma peça única. O seu aprendizado antes do tempo além de poder trazer lesões também prejudicam o aprendizado das técnicas corporais.
PA TZAN DO - Espadas duplas do Wing Chun
Pa Tzan Do significa técnica de oito cortes e é uma arma pertencente as 18 armas tradicionais do kung fu. Conhecida também sob o apelido de faca borboleta, normalmente é utilizada em par, porém também pode ser manejada também com apenas uma peça, como combinando com o uso de outra arma, como por exemplo, o escudo chinês. O desenho das facas borboletas chega a possuir uma variação quanto ao comprimento de suas lâminas, mas, normalmente seguem a medida do antebraço do praticante. A utilização desta arma no Wing Chun não possui uma história bem certa, mas acredita-se que Yin Wing Chun acresceu às técnicas já existentes da arma, técnicas de braço de Wing Chun, pois se notam claramente técnicas diferentes no manuseio, entre técnicas de Shaolin e as próprias do estilo Wing Chun. Porém, todo praticante e principalmente na época em que se utilizavam armas brancas para a própria defesa ou em guerras, quanto maior a possibilidade de variações, maior a possibilidade de uso da arma, não se restringindo à espaços ou situações determinadas. Isto significa que a arma é como o corpo, e deve ser totalmente explorada em todas as suas possibilidades. Em uma primeira idéia, o uso de facas simples não possibilita o uso de determinada técnica, a qual pode ser realizada quando da arma Pa Tzan Do possui um gancho. As facas também possuem um protetor de punho e uma ponteira na base da empunhadura, diferente a uma faca de açougue. Inicialmente, a forma criada no sistema Wing Chun para o uso das facas, deve ter-se limitado ao desenho da faca de açougue, posteriormente utilizando-se o Pa Tzan Do (as facas com o desenho conhecido até hoje), ampliou-se o uso de técnicas à arma, com o uso da troca de empunhadura, permitindo utilizar técnicas da faca, semelhantes às técnicas de cotovelo de Wing Chun.
Como toda arma, o Pa Tzan Do necessita ser uma arma feita de material forte, equilibrada, evitando assim o sobrecarregar de força no pulso, o que pode trazer sérias lesões.
As técnicas da faca incluem cortes, estocadas, bloqueios semelhantes às técnicas de braço, socos com a faca, técnicas curtas de cotovelo. O ensino das facas no sistema Wing Chun, se dá normalmente como o último estágio, se o treino realmente for sério, se exige muita força de pulso e isto é adquirido através do treino de braço e posteriormente de bastão. Como as técnicas de faca seguem as técnicas de braço, há uma seqüência lógica no aprendizado. Os ombros também acabam sendo exigidos, e quando o aluno não adquire um alto nível de relaxamento nos ombros, o ensino de arma se torna prejudicial. Outro motivo de se ensinar por último, é a faca ter um significado muito forte em relação a combate, é uma arma, de corte, o que significa que sua intenção era para matar. Na época em que se criou a arma de fogo era rara ou inexistente, portanto armas de corte tinham um alto valor, eram letais, para usos extremos. O ensino ainda faz parte, pela tradição do estilo, além de fortalecer e reforçar alguma habilidade técnica.
Se formos notar, o desenho da faca borboleta foi utilizado pelos exércitos na primeira guerra mundial, lógico que com algumas adaptações, mas o desenho é muito semelhante ao Pa Tzan Do.
O treino da arma se dá através de forma, treino com parceiro e a possibilidade também de utilizar-se algum mook jong com um desenho próprio para as técnicas de faca.